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mar 9 Bullying na idade adulta (mobbing) e a covardia dos imaturos.

Bullying é um termo bem recorrente há algum tempo e todos sabem seu significado: intimidação. Porém mais do que saber seu significado sabemos o que ele representa. E se você que está lendo este artigo neste momento imagina que sua prática se restringe ao ambiente escolar, está muito enganado. Ele também acontece em outros tipos de relações interpessoais e traz danos emocionais para quem se vê envolvido pelas atitudes covardes cuja falta de maturidade venceu a ‘data de validade’.

O contexto é sempre o mesmo; um número x de pessoas que se une e se apoiam mutuamente a fim de perseguir, denegrir, desmoralizar, atacar e humilhar um outro indivíduo que elegem como seu alvo. São obstinados e determinados quando decidem prejudicar alguém. Seu comportamento inclusive nos remete ao dos animais. A hiena por exemplo é um predador covarde, mas não o é por escolha, e sim pelo instinto de sobrevivência. Ela jamais age sozinha, pois nessa condição é fraca e não sobreviveria. Escolhe sua presa e passa a persegui-la incessantemente dia e noite, e quando percebe sua vulnerabilidade, ecoa sua risada estridente a fim de chamar outras para o bando e só assim, ‘mais fortes’, poderem atacar.

Se você observar com cuidado, o teor do bullying adulto (mobbing) e a forma como são feitos, perceberá que são muito similares ao que acontece dentro das escolas com os jovens que estão ainda em fase de desenvolvimento. Entretanto, nesses casos e no  bullyng corporativo, aquele que ocorre no ambiente de trabalho, a vítima recebe a atenção necessária e as instituições, ao que parece, tem combatido veementemente tais práticas, mas, quando os assédios acontecem fora desses cenários, em outros eixos de interação social, a coisa muda de figura. Na grande maioria das vezes a vítima não recebe apoio e credibilidade daqueles que a rodeiam, que acabam julgando a situação apenas como ‘diz que me diz’, fofoca, picuinha, o que torna a experiência ainda mais sofrida e arrebatadora. As pessoas preferem manterem-se longe, parecem ficar incrédulas de que homens e mulheres adultos, as vezes já pais e mães, se prestem a esse papel. Mas afinal, o que se passa na cabeça dessas pessoas, e que tipo de exemplo imaginam estar dando para seus filhos? O que falta em suas vidas para que usem seu tempo para fazer este tipo de coisa?

O fato da vítima estar em minoria não a coloca em desvantagem apenas mediante ao grupo, infelizmente, no julgamento alheio, a maioria tem sempre razão, um equívoco.

Mas o que fazer para cessar os assédios e se livrar do problema?

Para acionar os meios legais e recorrer a justiça é preciso ter provas contundentes de que os excessos cometidos lhes compromete a moral ou ameace sua integridade física. Caso isso não seja possível, então só restam duas alternativas: terá que suportar as investidas ou criar mecanismos para sair da situação.

Se você sofreu bullying ou passa por isso, tenha a certeza que você tem dentro de você mesmo força e recursos necessários para superar. Basta adotar uma nova postura e tomar algumas resoluções.

>> Não se preocupe em provar ao mundo que você é a vítima, você não precisa provar nada para ninguém, apenas mostre o seu melhor através das suas atitudes.

>> Não se nivele em hipótese alguma. Mostre sua força se impondo e exigindo o respeito que você, como todo ser humano, merece, mas você não precisa fazer isso necessariamente batendo de frente.

>> Mude o foco, invista em um projeto novo, algo que você queira muito fazer. Isso absorve sua atenção e vai lhe fortalecer aos poucos, enfraquecendo o ‘poder’ que as ações que vem sofrendo estão exercendo sobre você.

Acredite, passada a situação você se descobrirá alguém mais forte, lúcido e capaz.

Fonte: Angela Rodrigues – Blasting News

fev 17 A violência e educação.

Desde o Humanismo, tem se tornado cada vez mais evidente a necessidade do homem em estabelecer uma ética universal, que fosse compartilhada a partir da racionalidade e aplicada a todos os seres humanos, possibilitando o desvinculo da influência da religião nas esferas mais variadas da vida humana. Na época contemporânea, fatores como a globalização, a secularização e a migração, resultaram no pluralismo, fazendo-se ainda mais necessária a aplicação de uma ética possibilitada, compartilhada e aplicada por todos. Porém, esta época nos trouxe também desafios, culminando em um mal estar vivido pela sociedade em relação aos seus cinco pilares fundametais: O Estado, a família, a escola, a igreja e o trabalho.

A crise emergente nestas instituições provocam drásticas consequência culturais, sociais e comportamentais, perdendo-se desta forma a autoridade de figuras parentais que sempre orientaram moralmente as ações da sociedade, como o professor, o político, o padre, etc. Tal fato promove uma crise civilizatória aonde o princípio do prazer se evidencia e se sobrepõe ao princípio do dever. Outro fator influente é a própria violência gerada pelo capitalismo exacerbado, fator que influência o papel da escola, tirando-a do seu papel epistemológico e dialético e fazendo dela uma simples formadora de recursos para o mercado de trabalho, um seja uma “semiformação”. “Auschwitz não representa apenas (!) o genocídio num campo de extermínio, mas simboliza a tragédia da formação na sociedade capitalista. A “semiformação” obscurece, mas ao mesmo tempo convence” (ADORNO, 2010, p.22).

Ora, quando o ser humano é transformado em recurso, perde-se a dignidade humana e o reconhecimento de si mesmo como um ser humano, anestesiando-se para a solidariedade e oportunizando a diversas formas de violência.
De acordo com informações fornecidas pela Prova Brasil 2013, 1 em cada 6 diretores de escolas públicas alegam terem visto alunos portado armas no ambiente escolar. Ainda, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os estudantes brasileiros lideram o ranking de indisciplina em sala de aula. É evidente o aumento da violência de forma geral, como também a sua banalização por parte de seus atores. Logo, a inter-relação entre a violência social e violência escolar cria um intercâmbio de atos violentos, sendo a escola influenciada e também sendo a própria influência, resultando em um processo cíclico de desajuste: “A criança desajustada, por contraste, tem necessidade de um ambiente cuja tônica seja o cuidado, e não o ensino; este é um assunto secundário que pode assumir às vezes um caráter especializado, tendo mais a natureza de um remédio que de uma instrução escolar” (WINNICOTT, 1993, p.213).

Desta forma, a educação é aquela que permite promover um aprofundamento da consciência social, ética e moral por parte dos discentes, docentes e comunidade, tendo a escola não como um meio de educação formal, mas principalmente como uma instituição social e política cujo papel é desenvolver as potencialidades do indivíduo, propondo a inserção de novas temáticas no conteúdo pedagógico de cada escola, promovendo re- humanização e solidariedade por meio de uma educação humanitária e ontológica, onde o Ser seja novamente o primordial.

Benjamim_Horta

 

 

Mais sobre o autor do artigo: Benjamim Horta é filósofo e pedagogo, especializado em Filosofia e Direitos Humanos, e estudante contínuo de psicanálise, uma de suas maiores paixões. É Diretor da Abrace – Programas Preventivos.

fev 1 Dilma sanciona lei que obriga escolas e clubes a combaterem bullying.

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que obriga escolas e clubes a adotarem medidas de prevenção e combate o bullying. O texto, publicado no “Diário Oficial da União” desta segunda-feira (9), havia sido aprovado na Câmara em outubro e enviado para a sanção presidencial. A nova lei passa a vigorar em 90 dias.

Pelo texto aprovado, bullying é definido como a prática de atos de violência física ou psíquica exercidos intencional e repetidamente por um indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas com o objetivo de intimidar ou agredir, causando dor e angústia à vítima.

O projeto determina que seja feita a capacitação de docentes e equipes pedagógicas para implementar ações de prevenção e solução do problema, assim como a orientação de pais e familiares, para identificar vítimas e agressores.

Também estabelece que sejam realizadas campanhas educativas e fornecida assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores.

Segundo o texto, a punição dos agressores deve ser evitada “tanto quanto possível” em prol de alternativas que promovam a mudança de comportamento hostil.

Fonte: G1

jan 18 A ligação entre o bullying e problemas de saúde na fase adulta.

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De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Victoria, em British Columbia, o bullying sofrido na adolescência está diretamente ligado a problemas de saúde na fase adulta.

Pesquisadores acompanharam durante 10 anos adolescentes e jovens com faixa etária entre os 12 e 19 anos, e descobriram que as consequências do bullying físico e emocional se perpetuam através da fase adulta se manifestando em sintomas como dores de cabeça, tonturas, dores nas costas, dores abdominais, insônia, e baixa auto estima.

“Problemas de saúde como depressão, ansiedade, sintomas somáticos ou baixa auto estima, podem interferir em diversas áreas da vida como a fase acadêmica, trabalho, satisfação nos relacionamentos e sucesso econômico” afirma a co-autora das pesquisas Alanna D. Hager.

“O estudo enfatiza que os anos iniciais da adolescência são um momentos de sensibilidade tornando ideal a implementação de intervenção e prevenção, esforços que podem freiar o desenvolvimento de problemas de saúde na juventude” afirma Bonnie J. Leadbeater da Universidade de Victoria, British Columbia, local onde as pesquisas foram conduzidas.

Estudos prévios relacionaram a vitimização de colegas de escola, assim como outras formas de estresse, com adversas mudanças biológicas, emocionais, comportamentais e sociais, processos que podem provocar problemas crônicos de saúde, afirmam os especialistas. O impacto pode ser ainda mais devastador na adolescência, pelo fato de adolescentes dependerem de seus colegas para formação de sua auto-estima e identidade.

Para analisar tais fatos, foram realizadas 6 entrevistas entre 2003 e 2014, contendo questões sobre a frequência com que sofriam bullying físico, social e emocional. Ao longo das entrevistas, aproximadamente 29% a 52% dos garotos alegaram sofrer bullying físico, enquanto 20% a 29% das garotas alegaram o mesmo. Ainda, cerca de 28% a 59% dos jovens do sexo masculino e 37% a 54% do sexo feminino alegaram sofrer ataques emocionais esporadicamente.

Durante o estudo, um número maior de garotas alegou apresentar sintomas de somatização em comparação aos garotos. Vale ressaltar ainda que problemas de saúde relacionados a questões emocionais aumentam ainda mais o processo de vitimização, ao invés de serem somente uma evidência de somatização.

Os sintomas do bullying vão desde a reclamação excessiva de adolescentes a respeito de sua saúde com intenção de não comparecerem às aulas, até dificuldades para dormir e se concentrar na sala de aula, bem como o uso de roupas largas e o não comparecimento às aulas de educação física.

De acordo com o Dr. Matthew Davis, pesquisador no Hospital Infantil C.S. Mott, da Universidade de Michigan em Ann Arbor “o momento para prevenir o bullying e apoiar as vítimas deste comportamento é durante a adolescência, quando isto ocorre. Não espere que o problema se resolva sozinho; insista em informar as vítimas de bullying que ele(a) não são culpados pelo ocorrido”.

Fonte: Journal of Adolescent Health, online December 16, 2015.
Tradução do texto: Benjamim Horta

nov 25 Em entrevista, Benjamim Horta – Diretor da Abrace, fala sobre direitos humanos e como educar para a paz.

Em entrevista hoje na Rádio Inconfidência em Belo Horizonte, Benjamim Horta, Diretor da Abrace Programas Preventivos fala sobre Direitos Humanos e aborda o tema de sua palestra no SINEP “Educação e Direitos Humanos – Como promover a solidariedade e educar para a paz!”

Ouça na íntegra a entrevista:
http://bit.ly/entrevista-benjamim-horta-radio-inconfidência

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