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Educação

set 12 Brasil está no topo do ranking de violência nas escolas.

Duas (boas) professoras que conheço estão decididas a abandonar o magistério no final deste ano letivo. Não aguentam mais as agressões verbais e as intimidações que sofrem de alguns alunos. Elas dão aulas no Ensino Médio, em uma escola da Grande Florianópolis. Afirmam que já reclamaram à direção, chamaram os pais dos jovens na escola, mas que nada mudou. “Um pai chegou a me dizer que a culpa é minha, porque não consigo ter pulso firme com o filho dele, que tem “temperamento forte” desabafou a professora.

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Estes casos servem para ilustrar recente pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mostra que o Brasil está no topo do ranking de violência nas escolas. Isso mesmo: tiramos um vergonhoso primeiro lugar! O levantamento revelou que 12,5% dos professores brasileiros se disseram vítimas de agressões (verbais, bullying e até agressões físicas) pelo menos uma vez por semana. Dá para imaginar a pressão que deve ser trabalhar em um ambiente assim. A média mundial é de 3,4%. Na Coreia do Sul, Malásia e Romênia, o índice é zero.

Não é de se admirar, portanto, que 40% das licenças de saúde concedidas a  professores sejam por problemas psicológicos, tanto em escolas particulares quanto públicas. A situação é tão grave que alguns sindicatos que reúnem a categoria já estão criando núcleos de apoio ao professor contra a violência (Nap). Nunca imaginei que precisássemos chegar a este ponto. De acordo com Dirk Van Damme, da OCDE, somente um em cada dez professores (12,6%) brasileiros acredita que a profissão é valorizada pela sociedade. Nesse quesito, a média global alcançou 31%. Realmente, a coisa está feia por aqui.

Fonte: Click Rbs

set 5 MEC prepara programa de incentivo à docência.

O Ministério da Educação (MEC) planeja lançar nos próximos meses um programa para incentivar adolescentes que estão no ensino médio a seguir a carreira de professor. Para isso, pretende criar grupos de trabalho para aproximar alunos da última etapa da educação básica a professores universitários e estudantes de cursos de licenciatura. A ideia é que estudantes do ensino médio tenham contato antecipado a conteúdos relacionados ao magistério. Pelo menos uma vez na semana, os integrantes do programa deverão assistir a aulas e participar de grupos de pesquisas nas insituições de ensino superior. Será possível escolher entre a iniciação na área de física, química, biologia ou matemática – que são hoje as que enfrentam o maior déficit de profissionais.

De acordo com o coordenador do programa, Mozart Neves Ramos, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o grupo de trabalho misto promoverá atividades com intuito tanto de auxiliar os professores de educação básica a melhorarem suas aulas, como despertar o interesse dos alunos em ingressar no magistério. Seriam pelo menos quatro horas semanais de trabalho conjunto.

“O jovem não quer mais ser professor e, para reverter este cenário, além de questões salariais e de plano de carreira, precisamos tratar da formação inicial. Um dos passos é aproximar a universidade da educação básica pública”, afirma Ramos ao site de VEJA.

A meta do programa é atender cerca de 100.000 alunos do ensino médio. Eles ganhariam uma bolsa auxílio, em um valor ainda a ser definido. Seriam recrutados ainda outros 10.000 estudantes de cursos de licenciatura, que receberiam bolsas de 400 reais mensais.

O incentivo à docência é a frente principal do programa, mas outros dois eixos também estão em estudo, segundo Ramos. Um deles é para possibilitar que professores do ensino médio auxiliem docentes de instituições de ensino superior na elaboração de cursos de pós-graduação voltados a profissionais do magistério. “Às vezes, um professor universitário forma profissionais para a escola pública, mas ele mesmo nunca passou pela rede pública”, afirma.

Enquanto isso, considera Ramos, há professores atuando em escolas públicas com grande conhecimento acadêmico e capacidade de contribuir na formação dos colegas. “Quando fui secretário de Educação em Pernambuco (2003 a 2006) lembro que havia na rede pública 73 professores doutores e 256, mestres”, afirma.

A terceira e última frente do programa será focada em reduzir a taxa evasão dos cursos de licenciatura nas áreas de ciências biológicas e exatas.

Conforme Ramos, nos próximos 30 dias a proposta do programa será discutida com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a Academia Brasileira de Ciências, além de entidades científicas vinculadas às áreas de física, química, matemática e biologia. A expectativa é que o edital seja lançado em junho e enviado para apreciação das secretarias de educação, que têm participação facultativa. “A falta de atratividade da carreira docente não vai ser resolvida de forma isolada. É necessário um regime de colaboração entre o MEC, as secretarias de educação dos estados e as universidades”, afirma.

 Fonte: Veja

set 1 Professores não se interessam pela sala de aula, diz estudo.

São Paulo – Apesar de haver escolas sem professores no Brasil, o número de licenciados entre 1990 e 2010 seria suficiente para atender à demanda atual por docentes.
É o que revela a pesquisa inédita do professor José Marcelino de Rezende Pinto, da Universidade de São Paulo (USP). Faltam, portanto, profissionais interessados em seguir carreira dentro da sala de aula.

O estudo aponta para a necessidade de tornar a profissão mais atrativa e de incentivar a permanência estudantil na área. Isso porque o número total de vagas na graduação é três vezes maior que a demanda por professores estimada nas disciplinas da educação básica. Em todas as áreas, só as vagas de graduação nas universidades públicas já seriam suficientes para atender à demanda.

Para realizar a pesquisa, o autor cruzou a demanda atual por profissionais na educação básica com o número de formados nas diferentes disciplinas curriculares entre 1990 e 2010.
Assim, apenas em Física é possível afirmar de fato que o número de formandos não é suficiente para suprir a necessidade.
Segundo Marcelino, os titulados preferem ir para outras áreas a seguir a docência. “A grande atratividade de uma carreira é o salário. Mas, além da remuneração, o professor tem um grau de desgaste no exercício profissional muito grande. E isso espanta”, afirma o pesquisador, que é da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto.

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Os cursos de formação de professores têm evasão maior que 30%, acima da média registrada por outras graduações. “Em vez de financiar novas vagas, muitas vezes em modalidade a distância sem qualidade, precisamos investir para que o aluno entre e conclua.” Dados recentes mostram que há um déficit nas escolas brasileiras de 170 mil professores apenas nas áreas de Matemática, Física e Química. Só na rede estadual de São Paulo, 21% dos cargos necessários estavam vagos no ano passado, como revelou o Estado na ocasião. A maior lacuna era em Matemática e Português, esse último com falta de 7,1 mil docentes – o governo do Estado afirma que os alunos não ficam sem aula, mesmo que acompanhados por professores de outras formações.

Em Língua Portuguesa, a pesquisa revela um dos maiores abismos. O número de concluintes entre 1990 e 2010, de 325 mil, é quase três vezes maior que a demanda calculada, em torno de 131 mil. Só três disciplinas aparecem com razão negativa entre concluintes e demanda: Ciências, Língua Estrangeira e a já citada Física (veja o infográfico ao lado).Nas duas primeiras, os dados não refletem algumas condições: a área de Língua Estrangeira é atendida por formados em Letras, que tem alto índice de estudantes, e muitos professores de Ciências têm formação em Biologia – que tem a maior proporção de concluintes.

Ganho

O salário de um professor é, em média, 40% menor que o de um profissional de formação superior. Foi essa diferença de renda que fez Simone Ricobom, de 40 anos, deixar a docência em 1998 – após cinco anos na área – para trabalhar na Previdência Social. “Havia o pensamento de que o professor tinha de ser um pouco mãe e eu queria ser profissional. Também percebi que não havia projeção na carreira.” Ela voltou a atuar na educação infantil entre 2008 e 2012, dessa vez na rede particular, mas se decepcionou novamente. O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, diz que o resultado da pesquisa desconstrói um falso consenso sobre um “apagão”.

“Os dados reforçam que a principal agenda na questão docente é a da valorização”, diz. “Valorização é garantia de boa formação inicial e continuada, salário inicial atraente, política de carreira motivadora e boas condições de trabalho.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Revista Exame

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