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abr 1 Redes de apoio e jovens equilibrados.

Dois artigos científicos divulgados recentemente revelam como questões comportamentais afetam a saúde mental dos jovens. No primeiro deles, a religião aparece como uma proteção contra o suicídio. A pesquisa é importante porque o atentado contra a própria vida é uma das principais causas de morte entre jovens. Nos Estados Unidos, fica atrás apenas de acidentes e violência, na população de 15 a 24 anos. As garotas são as vítimas mais frequentes.

A pesquisa, publicada na revista médica European Psychiatry, foi feita na Universidade de Tel Aviv, em Israel. Ela sugere que adolescentes judeus praticantes, entre 13 e 17 anos, tiveram um risco 45% menor de ter pensamentos suicidas e tentativas de suicídio do que jovens que não seguem a religião. Outras pesquisas também sugerem que, entre jovens cristãos que seguem a religião, as taxas de depressão são menores. A crença religiosa se mostra como um elemento importante no equilíbrio emocional, porque oferece uma rede de apoio. Os amigos e conhecidos que partilham dela funcionam como uma fonte de apoio para os jovens.

O segundo artigo, divulgado há alguns dias, revela que a orientação sexual é um fator que afeta a saúde mental dos jovens. A pesquisa, realizada pela Escola de Medicina da Northwestern University, nos EUA, revelou uma alta taxa de transtornos emocionais entre garotos com orientação homo ou bissexual, entre 16 e 20 anos. Um em cada três já experimentara um episódio de depressão. Um em cada quatro tinha transtornos de conduta, e um em cada cinco abusava de álcool ou era dependente. Estresse pós-traumático, vício em nicotina, anorexia e pensamentos suicidas também apareceram com maior frequência. Uma conclusão preocupante do estudo mostra que, muitas vezes, o mesmo jovem apresenta mais de um desses problemas e, infelizmente, não costuma receber apoio médico ou psicológico.

As minorias sexuais, que enfrentam preconceito, fazem parte de uma população mais suscetível a dificuldades emocionais e exposição a riscos. Daí a importância de adotar posturas incisivas contra a intolerância e o bullying no ambiente escolar. Campanhas de saúde e políticas públicas para esse grupo de adolescentes são fundamentais. Os garotos homo ou bissexuais enfrentam maior risco de contaminação pelo vírus HIV.

Os trabalhos divulgados na semana passada analisam a influência de fatores diferentes sobre a saúde emocional dos jovens, mas a conclusão de ambos é semelhante: contar com uma rede de apoio – seja institucional ou de amigos e conhecidos – é imprescindível para que os jovens consigam lidar de maneira equilibrada com os desafios da adolescência e do início da vida adulta.

Fonte: Revista Época

mar 31 Denúncias de abusos obrigam USP a ‘repensar políticas e práticas’, diz reitor.

O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago, afirmou, nesta quarta-feir (4), que trote é uma das “tradições ultrapassadas” que “não fazem parte da vida de uma universidade moderna”. Em um vídeo de boas vindas ao início do ano acadêmico de 2015, Zago falou sobre os planos da Reitoria para mudanças na graduação, discussões sobre o Estatuto da universidade e cortes de gastos com “redundâncias” e “trâmite desnecessário de papeis”.

O professor também abordou as questões relacionadas às violações aos direitos humanos, afirmando que as denúncias obrigam a USP a “repensar políticas e práticas educativas, e a promover um trabalho de reconstrução que deve ser feito em conjunto pelas diferentes instâncias da universidade”.

O processo democrático para resolver essas questões “se caracteriza pela busca de convencimento por meio do argumento, a rejeição à violência e o respeito às decisões tomadas segundo regras válidas e reconhecidas”, disse Zago. “Contrário a ele estão a coerção, o constrangimento, a incapacidade de discutir com maturidade e a aplicação de força física para sustentar posições.”

reitor

Trotes
Tradições ultrapassadas, como trote e humilhação dos calouros, ou desrespeito à diversidade de gênero e identidade, não fazem parte da vida de uma universidade moderna. Tenho certeza de que os alunos veteranos vão se integrar nas atividades que a universidade e a Pró-Reitoria de Graduação organizaram para receber os novos membros da nossa comunidade acadêmica. Também ajudarão a erradicar práticas que desrespeitam os direitos individuais, onde ainda houver resquícios delas.

Festas com consumo de grande quantidade de álcool e outros estimulantes não fazem parte da vida acadêmica sadia. Já o esporte e as atividades culturais são importantes fatores de integração e serão promovidos e apoiados pela Reitoria.

Conflitos e polêmicas
A USP é a maior universidade pública do Brasil, e a de maior prestígio no mundo iberoamericano. Essa liderança se deve à qualidade de seus docentes, estudantes e servidores. Apesar disso, como qualquer instituição viva, pode atravessar vicissitudes [contratempos] e períodos de conflitos e polêmicas que não são estranhos à vida universitária.

O que caracteriza uma entidade democrática, como deve ser a universidade, não é a ausência de controvérsia, e sim, a maneira com a qual é resolvida, com respeito à diversidade de opinião.

O processo democrático se caracteriza pela busca de convencimento por meio do argumento, a rejeição à violência e o respeito às decisões tomadas segundo regras válidas e reconhecidas.

Contrário a ele estão a coerção, o constrangimento, a incapacidade de discutir com maturidade e a aplicação de força física para sustentar posições.

Desrespeito a diretos humanos
No final de 2014, surgiram denúncias públicas sobre desrespeito a direitos humanos na USP. Sobre fatos ocorridos no passado. Em alguns casos, há mais de dez anos. Determinei procedimentos administrativos para examinar ou reexaminar os casos apontados ou denunciados.

Também deleguei à Comissão de Direitos Humanos da USP o papel de supervisora da condução do processo de mediação entre vítimas ou denunciantes, e administração universitária.

Dessa forma, procuramos tomar medidas práticas para corrigir e prevenir que fatos como os relatados se repitam no futuro.

Quero manifestar meu profundo pesar pela ocorrência de atos dessa natureza na nossa universidade. Manifesto também a convicção de que isso nos obriga a repensar políticas e práticas educativas, e a promover um trabalho de reconstrução que deve ser feito em conjunto pelas diferentes instâncias da universidade.

Reforma estatutária e graduação
Neste início de 2015, a administração central está comprometida com um conjunto de ações que terão impacto na vida da universidade.

O debate sobre o Estatuto da USP, já iniciado, continuará e deverá chegar à votação.

O fortalecimento do ensino de graduação continua prioritário, e se desdobra em medidas para promover o aprimoramento didático dos professores da USP e aumentar o conteúdo digital dos cursos.

O processo se estende à revisão da carreira docente e de seu regime de trabalho. A simplificação da burocracia das decisões, a implantação de modificações de currículos e disciplinas, e, ainda, a ênfase na comunicação em língua estrangeira.

Reforma administrativa
Este será também o ano de uma grande reforma administrativa, para racionalizar processos, compartilhar atividades entre diferentes setores e unidades, fortalecer procedimentos digitais,
abolir redundâncias e evitar o trâmite desnecessário de papeis.

Essas iniciativas somente se concretizarão com a participação de todos: estudantes, professores e servidores.

Sua execução exigirá, também, diálogo permanente entre a administração central e as unidades de ensino e pesquisa, entre os diferentes setores da universidade, e entre as diferentes categorias.

Neste aspecto, reitero a necessidade de consolidar o papel do Conselho Universitário como centro de negociações e decisões da universidade.

Fonte: G1

mar 31 Pesquisa afirma que homens têm maior tendência a agir de forma estúpida.

De acordo com um estudo publicado no Jornal Britânico de Medicina (BMJ), os homens são mais estúpidos. E caso você, homem, esteja ofendido e se perguntando, ressaltamos que os autores do artigo são todos do sexo masculino.

O estudo foi feito com base no Prêmio Darwin, uma honra irônica dada a pessoas que morrem de forma estúpida, com o pressuposto da seleção natural proposta pelo naturalista Charles Darwin. A ideia é agradecer as pessoas por terem ‘ido dessa para a melhor’ sem reproduzir – e sem passar genes ‘estragados’ adiante. O prêmio ficou mais conhecido no Brasil em 2008, quando foi concedido ao famoso Padre do balão (que por coincidência é homem)!

Dos 318 vencedores do Prêmio Darwin, de 1995 a 2014, 282 são homens. Ou seja: impressionantes 88,7%. Os autores deixam claro no estudo que a enorme diferença dos resultados também pode estar relacionada com o fato que indicações masculinas ao concurso são mais “engraçadas”.

O fato é que, em 20 anos de Prêmio Darwin, as maiores idiotices vieram dos homens: um homem deu um tiro em sua cabeça com uma arma ~aparentemente~ de brinquedo pra provar pra um amigo que era real. Um terrorista abriu uma carta-bomba enviada por ele mesmo, que retornou.

O álcool é uma das grandes causas do comportamento estúpido. Por exemplo, um dos casos vencedores do Prêmio Darwin, três homens bêbados brincavam de roleta russa em um bar abandonado construído em cima de uma mina terrestre ativa no Camboja, quando a instalação explodiu e desabou, matando os três. A explosão pode ter acontecido por conta do peso ou por algum barulho causado por eles.

Os autores acreditam que o comportamento masculino tem uma predisposição a idiotices: “É intrigante como os homens estão dispostos a assumir tantos riscos desnecessários – simplesmente como um ‘rito de passagem’, em busca de estima social típica do sexo masculino, ou apenas para se gabar”.

Fonte: Revista Galileu

mar 11 Professoras usam contos de fadas e cartazes para ensinar direitos sociais.

Em várias partes do Brasil, professoras de educação infantil e ensino fundamental têm usado a criatividade para abordar com os seus alunos questões como direitos das mulheres, racismo e exploração infantil. Para tratar dos temas, crianças de entre 5 e 14 anos foram estimuladas a, por exemplo, se expressar durante rodas de conversa e comparar histórias de contos de fadas com a vida real.

Levando para a sala de aula livros e filmes, as professoras conseguiram ouvir a opinião das crianças sobre diversos temas. Os alunos questionaram o porquê de só os príncipes salvarem as princesas em contos de fadas e os motivos de meninos não poderem chorar.

Embora seja um trabalho gratificante, ele também é cansativo e mostra histórias nem sempre positivas, como casos de alunas vítimas de abuso. Mas o resultado, segundo as professoras, vale a pena, porque é através dele que elas conseguem ajudar os pequenos e pequenas a aprenderem a respeitar os direitos de todos.

O G1 conversou com três professoras do Rio, de São Paulo e do Rio Grande do Sul sobre projetos desenvolvidos durante ou após as aulas em escolas públicas. Conheça abaixo as experiências de cada uma:

DESCONSTRUINDO MITOS

Durante uma aula em uma escola municipal de Duque de Caxias (RJ), a professora de educação infantil Magna Domingues Torres, de 28 anos, leu o livro “Menina bonita do laço de fita”, de Ana Maria Machado, e foi surpreendida com a resposta de seus alunos. Na história, um coelho muito branco admira uma menina negra que usa um laço de fita. Em função desta admiração, o coelho faz de tudo para ficar parecido com a menina.
Ao terminar a narrativa, uma de suas alunas disse que “o coelho era louco, porque ser preto é feio”. Ao ouvir isso, Magna identificou a necessidade de descontruir mitos sociais dentro de sala de aula. “Eu fiquei inquieta e comecei a pensar em como os preconceitos chegam até as crianças e como eu poderia mudar isso”, conta a professora, que atualmente ministra aulas para crianças de 5 a 6 anos na Escola Municipal Todos os Santos.

Aproveitando que uma vez por semana promove rodas de conversa em sua escola, a professora passou a ouvir as crianças sobre temas mais densos. “As rodas desenvolvem o espírito crítico das crianças, é uma orientação pedagógica e isso é muito rico, porque elas falam de suas vivências e nós podemos descontruir os mitos”, explica.

A cada semana era discutido um assunto diferente e a conclusão das conversas virava um cartaz. Após sete semanas, e sete temas, Magna fez uma montagem com as fotos das crianças segurando cartazes que diziam: “meninos e meninas brincam juntos de casinha”, “meninas também adoram jogar bola”, “eu adoro rosa, azul, verde e amarelo”, “meninos também adoram dançar”, “menino brinca com menina” e “amigos dizem ‘te amo'”.

As discussões tiveram o apoio da escola e respostas positivas dos pais. “Eu tenho encontrado bastante aceitação e muito agradecimento. As crianças mudam de postura e levam isso para dentro de casa, o diálogo passa a ser possível”, afirma Magna, que foi convidada pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro a dar uma palestra para outros professores sobre seu projeto.

Apesar do bom resultado, a professora acredita que o trabalho deve ser multiplicado para que não se perca. “É um trabalho de formiguinha, porque eles passam por mim e depois vão para outra professora ou outra escola”, conta.

Para Magna, é necessário dar aos alunos a oportunidade de pensar e conversar, para que eles possam levar para o imaginário discussões como identidade e igualdade. “Educação é um ato de amor. E eu quero que eles lembrem da escola como aprendizado, felicidade e amor. A educação é mais do que as quatro operações. Passa pelo nosso corpo e pela nossa vida”, define.

RODA DE CONVERSA SÓ COM MENINAS

Após terminar uma de suas aulas, a professora do ensino fundamental Juliana Delmonte da Silva, de 27 anos, foi procurada por um grupo de alunas, de 13 e 14 anos, que desejava conversar longe da presença de meninos. Diante disso, a educadora procurou a direção da Escola Municipal Viana Moog, que fica no bairro Jardim Jaqueline, em São Paulo, e sugeriu reuniões semanais, fora do horário de aula, com grupos de meninas.

Nestes encontros Juliana viu a possibilidade de discutir diversos assuntos do universo feminino sem que as meninas se sentissem envergonhadas. Temas como identidade, igualdade entre gêneros, religião, questionamentos sobre sexualidade e história das mulheres eram discutidos durante a uma hora e meia de atividade.

“É bem difícil trabalhar gênero em sala de aula, tem pouco material, principalmente na questão lúdica”, conta a professora, que passou a “traduzir” o material de suas pesquisas para que suas alunas assimilassem o conteúdo.

Em uma de suas reuniões, Juliana discutiu a violência verbal, física e sexual com as integrantes do grupo, e a realidade que encontrou a surpreendeu. “Eu perguntei para elas se elas já tinham sido agredidas física ou sexualmente e, de um grupo de 20 meninas, apenas duas meninas não tinham sido vítimas dessas violências”, afirmou a professora, que, a partir dessas reuniões, intuiu que precisava de parcerias com psicólogos para atender as alunas.

Com o objetivo de fortalecer as meninas, de modo que elas entendessem seu espaço, que não sofressem mais violências, e que tivessem a liberdade de se comunicar, a educadora promoveu debates e atividades envolvendo os meninos. O resultado agradou a professora, a coordenação e os pais das alunas. “Os pais parabenizam, falam do amadurecimento das filhas e de outras perspectivas. As mães, principalmente, me davam demanda e agradeciam mais”, conta.

Para Juliana, todo o projeto exigiu muito psicologicamente. “É muito cansativo, muito intenso. Mas no período em que eu trabalhei neste projeto, percebi que as crianças têm outra profundidade de entendimento, mas elas conseguem, desde muito cedo, ter uma compreensão de mundo”, conta Juliana.

CONTOS DE FADAS

Pensando em apresentar diferentes versões de uma mesma história para seus alunos, uma professora de Uruguaiana (RS), que prefere não se identificar, desenvolveu um projeto para discutir questões sociais com alunos do ensino fundamental.

Em uma das aulas, S.P. leu o conto de fadas “A bela adormecida”, na versão Disney. Em outra aula, as crianças assistiram ao filme “Malévola”. Na terceira, foi feito um comparativo entre as duas histórias e um dos alunos levantou a questão do beijo, que no filme é dado pela fada madrinha e, no conto de fadas, pelo príncipe, enquanto ela dormia.

A partir dessa discussão, a professora teve a ideia de montar um gráfico com as opiniões das crianças, que foram surpreendentes. “As crianças relacionaram e deram exemplos como ‘será que o amor da mãe da princesa também não era verdadeiro, tinha que ser só o príncipe?’, ‘por que só os homens podem salvar as mulheres?’, ‘é falta de respeito beijar uma guria sem ela dizer que quer'”, lembrou ela.

A educadora aproveitou os comentários das crianças para falar sobre abuso infantil. “Expliquei que, se isso acontecesse com eles, ou com alguém que eles conhecessem, deveriam contar para um adulto em quem eles confiassem, pois não era uma coisa normal, assim como era no livro”, conta. Se for possível “salvar uma criança de sofrer abuso ou uma adulta de sofrer com relações abusivas”, diz ela, o trabalho de anos já terá valido a pena.

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Para incluir no currículo a questão de gênero, S.P. mostrou o filme “Frozen”. “[O filme mostra] que nem sempre o amor verdadeiro da nossa vida está centrado apenas na imagem de um homem, príncipe, mas sim de uma irmã, mãe ou amiga. Nós podemos amar verdadeiramente qualquer pessoa e não apenas alguém em um relacionamento amoroso”, explica.

A professora acredita que as crianças têm capacidade de entender e refletir sobre qualquer assunto, desde que trabalhado em uma linguagem apropriada e que, para isso, não se pode subestimar as crianças. “As crianças devem ser tratadas como seres pensantes, e o professor que nega isso está muito enganado”, afirmou a docente gaúcha.

Fonte: G1

fev 4 Aumenta o número de professores que abandonam as salas de aula.

O Jornal Nacional começou a apresentar nesta segunda-feira (02 de fevereiro), uma série especial de reportagens sobre a situação dos professores no Brasil.

É uma profissão que todo mundo elogia, todo mundo concorda que é fundamental, mas que tem despertado o interesse de um número cada vez menor de brasileiros. Os motivos disso estão em discussão na reportagem da Graziela Azevedo e do Ronaldo de Sousa.

O Brasil tem uma necessidade urgente na escola. O país tem uma promessa: “Nosso lema será: Brasil pátria educadora”, afirmou a presidente Dilma Rousseff no discurso de posse.
E um grande desafio: “O apagão já começou há muito tempo. O déficit de professores nas áreas de química, física, matemática e biologia é da ordem de 150 mil professores” conta o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos.

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“Eu fiquei dois anos sem professor de matemática. Na 5° e na 6° série. Então até hoje eu tenho muita dificuldade”, conta a estudante Larissa Souza.
“Fiquei trocando de professor de história na 8° série cinco vezes”, reclama um aluno.

Aqueles que poderiam ser futuros professores também estão sumindo dos cursos universitários de formação.
Acontece nas faculdades particulares: “Na licenciatura de pedagogia, sempre no primeiro semestre é lotada. São 60, quase 70 alunos e vai diminuindo. O pessoal do 6°semestre, nós temos 10 alunos”, explica Carolina Gato, estudante de Matemática e Pedagogia.

Nas universidades públicas a desistência também é notória: “Porque as lacunas começam a aparecer, então coisas que deveriam ter aprendido no ensino médio não aprenderam e aí chega na hora da prova tira zero, tira 2 na prova. Vira uma bola de neve e abandona o curso”, conta Rebeca Omelczuck, estudante de Física.

Mas e quem ficou? Como estão os professores que levaram seus cursos até o fim e estão encarando as salas de aula?
É o que o Ministério Público quer descobrir. Em Novo Gama, município pobre e vizinho à Brasília, as promotoras de justiça mobilizaram mães, pais, servidores públicos e conselheiros da cidade para obter respostas.

A auditoria cívica é o nome que o Ministério Público deu para o trabalho dos cidadãos que querem melhorar a educação na sua comunidade. Um trabalho que ao Jornal Nacional acompanhou.

Trazendo questionários e vontade de conhecer melhor as escolas públicas, eles se espalham. Parte da tarefa é conversar com os professores. As carências vão aparecendo.

“Falta tudo. Igual folha para tirar cópia para a prova, por exemplo. A gente tem que pedir para os meninos, tem que ir comprar. Chove e a sala fica praticamente alagada”, conta a professora Marta Costa Alves.

Uma realidade tão dolorida que as palavras começam a vir acompanhadas de lágrimas.

Marta Giovana Costa Alves, professora: Quando me deparei em uma sala de aula e vi as dificuldades ali eu não queria estar mais ali.

Jornal Nacional: Você se sente sozinha?

Marta: Nossa.
Assim, à flor da pele, a professora confessa não se sentir mais um modelo para os seus alunos.

Marta: A criança tem que olhar pra mim e ver em mim futuros, sonhos. E eu acredito que as crianças não estão conseguindo ver no professor mais isso.

Jornal Nacional: O que elas veem?

Marta: Um professor cansado, desmotivado, triste.
A entrevistadora, que também é professora, desaba junto.

Jornal Nacional: E a senhora chora por que?
Pesquisadora: Porque são 23 anos, quase aposentando, e as palavras dela são as minhas

Depois da entrevista, a professora Marta enxugou as lágrimas e voltou para a sala de aula, mas muita gente que se forma nem chega a entrar em uma. A desvalorização da profissão é o grande motivo. Para ganhar mais com menos estresse, os professores acabam fora das escolas.

A conclusão é de um pesquisador que cruzou os dados de vagas oferecidas e docentes formados ao longo de duas décadas. O levantamento mostrou que, com exceção da disciplina de Física, o número de docentes formados daria para atender a demanda no país.

“Não faltam professores formados então o que está acontecendo é que essas pessoas se formam e ou não ingressam na profissão ou ingressam e se desestimulam e saem. Enquanto um professor formado em nível superior ganhar metade do que ganha um economista, do que ganha um advogado, do que ganha um jornalista, quer dizer, não tem como atrair a pessoa para a profissão”, afirma o pesquisador da USP Marcelino de Rezende Pinto.

Para o novo ministro da Educação a valorização do professor passa por aumento de salário.

“Se você não tiver salários com perspectiva de aumento de salário, você não vai ter as melhores vocações se dedicando ou escolhendo o magistério como sua profissão”, conclui o ministro da Educação Cid Gomes.

O piso da categoria para 40 horas por semana, passou este ano de R$ 1.617 para R$ 1.917. Mas, para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, deveria ser de pelo menos R$ 2.900. Sem falar que nem todos os estados pagam o que a lei determina.

O resultado é o abandono da profissão. Oferta de emprego em empresas e bancos não falta.

“Eles vivem batendo na sua porta, oferecendo salários muito atraentes e que acabam levando muitos colegas da física para outras áreas”, conta o estudante de Física Carlos Otobone.
Mas é na sala de aula que os bons professores precisam estar. Disso ninguém tem dúvida.

“Temos que pensar de fato em uma política integrada que tem como elemento central o professor porque o pessoal discorda de tudo, mas há um consenso: o professor faz a diferença”, diz Marcelino.

Fonte: Jornal Nacional / Todos pela Educação